sábado, 6 de outubro de 2012

Aos amigos que sumiram...

Sumi, também. Dei um tempo. Perdi as esperanças na espera e resolvi me jogar em caminhos que não sei onde vão dar. Conheci tanta gente, tanta. E algumas delas me olham com olhos de expectativa. Muitas delas, agora, não me deixam encostar a cabeça no sofá e esperar doer. Larguei os amores, a prostituição, as drogas, permaneço apenas com o vício de me repetir. Fui atrás de ser mais humano, de ouvir os anseios, de projetar. Corri atrás de outros sonhos e me aluguei para sonhar tal qual a personagem do Gabriel García Marques. E deixei a saudade num canto, junto ao mofo, as roupas sujas e aquele livro do Tolstói que ainda não li. E fui - coração em desalinho - seguindo. Fui deixando  os amores sem resposta, o corpo sem cuidado, catei os restos e trancafiei as feras no armário! Acho que cresci! Dou respostas, pego responsabilidades nas costas e às vezes ainda me pego repetindo assim: "Pode deixar, tudo vai dar certo e a gente vai ser feliz". Minto. A lacuna permanece, mas eu apenas não deixo ela ocupar todo o espaço. Ao lado, deixo o sorriso do menino que se espanta com as possibilidades, o alívio de quem desabafa com uma cadeira, e as lágrimas de quem sente uma saudade da gota serena, e me faz lembra de vocês. E vou vendo que em outros corpos, em outros planos eu me realizo também. Vou vendo que nem sempre é possível estar perto e a gente tem que se contentar com o que tem. Respiro melhor, e se a escrita está fraca é porque as manhãs estão ricas.

Um comentário:

Renata Tata disse...

Nossa! Que lindo Euler... Parabéns ;)