sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ao silêncio

Elas estão em silêncio. Não as ouço mais, elas não me ouvem. Quem de nós sumiu para o outro.?Será que a saudade ecoa na parede vizinha como cá na minha? Leio palavras antigas, homenagens longas. Acho que não sou mais aquele ser venerado em textos longos, em poemas rimados. Eles não me amam mais, contesto. Não sabem meu telefone, não lêem meus escritos, não discutem mais comigo. Vivem vidas das quais não me incluo. Conheceram novas pessoas - mais ou menos interessantes que eu - vão a lugares que não frequento, não cometem as mesmas loucuras que cometo. Eu desconheço suas ânsias, medos, projetos. Não os incluo nas minhas dores, não divido minhas doses, não os convido para cinemas, teatros, momentos de solidão. Estamos indiferentes. Aconteceram tantas coisas entre isso. E só o silêncio parece nos unir agora - coisas não ditas. Quando não há mais palavras, quando não há mais momentos para serem vividos, quando não há mais ideais e planos em comum, sobra apenas a hipocrisia de gostar, a consideração momentânea, a lembrança indigesta. (vou correr para a minha caixa de cartas e lê o passado como se fosse presente). Somos todos autores de tempos que já se foram. Eu queria ter um encontro com cada um desses autores como encontro O Caio, A Hilda, A Ana constantemente. Queria revisitá-los, lê-los, questioná-los. Queria que eles não fossem para mim significante puro, desejaria redescobrir o significado deles. Talvez um dia numa mesa com toalha branca, uma garrafa de vinho -ou fodka - separando nossos rostos. Talvez nesse dia, faríamos a digestão das lembranças, e gostaríamos verdadeiros e novamente um do outro.

Um comentário:

junior disse...

Lindas e dolorosas palavras...Apesar do suposto silêncio estou com vc!!!